terça-feira, 8 de dezembro de 2009

pésnocéucabeçanaterra


domingo, 22 de novembro de 2009

bel



(imagem: Raquel Dias)

não sei em que parte me toca,


ou como não se toca


que mais que aqui no peito


ou na calma do meu deleito


mexe na  minha dor roca,


desenfreada e sem jeito.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

visinhos


A nossa proximidade me desperta um tesão curioso.
Esse segredo indiscreto velando nossas janelas.
Olhares que se cruzam,
mas se evitam.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

esse(s) esse(s)

...
só(s) nó(s)
liga(s) solta(s)
briga(s) torta(s)
liberta(s) volta(s)
beijo(s) telhado(s)
encontro(s) noia(s)
espera(s)estranha(s)
intensa(s) sutileza(s)
pretensa(s) defesa(s)
escreve(s) trapaça(s)
muito(s) estranho(s)
torna(s) alcança(s)
todo(s) perdido(s)
prece(s) pressa(s)
pouca(s) veste(s)
troca(s) sente(s)
riso(s) vasto(s)
ama(s) amo(s)
nó(s) só(s)
...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

babe snake ou treino de aliteração

Há tempos que estou nessa inércia.
Que estagnei e não me mexo mais.
Só deixo que me mexam.


Paro


Caio



Me arrasto no chão

Entre as pernas, me esquivo

Deslizo como uma cobra

de olhar languido e hostil

Sem que percebam sua presença

Sua pele asquerosa que roça as canelas

aos poucos se encosta

se enrola e se enlça

para

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Assobiação

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Tentar Esperar


Enquanto tento esperar
apoeira abaixar
a fumaça acalmar
entre meus dedos
minha boca
o cinzeiro

imagino que não espere
não há o que esperar
para você
apenas a cinza a queimar
na sua boca
no seu pescoço
que me seduz
enquanto chama
a queimar entre meus dedos
meu peito
a devorar meus desejos
a tragar outro desconforto
e suspirar meus defeitos

ansiedade que corroe
que não se esconde
nem me responde
por que você?
na sinceridade oculta
em seus olhos flamejam
outro cigarro

sonho


acorde dissonante
outro sonho
harmonia plena

pupila molhada
alvo claro
flecha errante

noite amarela
acordo tácito
tempo espera

alguém acorde
tarde antes
sempre nunca


sexta-feira, 7 de agosto de 2009

injustiça social

(o reflexo)
mas todas são a mesma
...e nenhuma é você!
e todos são o mesmo
...mas nenhum sou eu!

você não é seu eu
eu não sou seu você

rio
do que choras
choro por que
rias

e nós dois
...só amor

só!
só!

só amor...
e nós dois

rias,
choro por que
do que choras
rio

eu não sou seu você
você não é seu eu

e nenhum sou eu...
mas todos são o mesmo!
mas nenhuma é você
e todas são a mesma...

a verdade no espelho torto
o espelho na torta verdade

segunda-feira, 27 de julho de 2009

correspondências pulsantes

(imagem: Frida Kahlo)

Passo meus olhos, minha língua, lendo aquelas suas palavras na carta alinhadas em veias, fibras e músculos. Sinto seus relevos, sinto você pulsando em todas elas e aquilo pulsa em mim, pulsa tanto e incontáveis vezes que tenho vontade de pegar uma faca e atingi-las incontáveis vezes. Entrar por de baixo da carne esfaqueada e cavucar seus sentidos, suas entranhas, ver suas veias escancaradas, seguí-las até encontrar seu coração sangrento que não para de pulsar suas palavras em mim.
Tenho vontade de me fantasiar de palavra sua, me infiltrar em suas veias, me tornar uma delas, seguir emaranhada em seu sangue.
Lá estou eu, me lambuzando com seus papéis, acariciando sua língua, sua boca, suas palavras, seus suspiros, que me jogam em sua carta na mesa.
Carta, que agora faço minha. Sou sangue do coração pulsante que ela é. Como um vírus, que é meu gozo, corrompo suas palavras e seus sentidos. Fiz delas meus prazer e agora tua loucura.

Relendo sua carta, você me coloca em sua boca, coloca goela a baixo um coração enlouquecido, o meu.